9.04.2013

Futuro de Kimi Raikkonen também está nas mãos de Fernando Alonso

CRÉDITOS: LIVIO ORICCHIO - Enviado especial - O Estado de S. Paulo

Mas se no GP da Itália, domingo, ou mesmo nas duas semanas até a etapa seguinte, dia 22 em Cingapura, a postura de Alonso for a de Budapeste, quando ridicularizou os engenheiros do time, impôs barreiras no seu relacionamento com todos e o seu empresário, Luis Garcia Abad, o ofereceu a Christian Horner, da Red Bull, então o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, e seu diretor, Stefano Domenicali, vão esquecer o tratamento diferenciado garantido até hoje. E a provável consequência será a contratação de Raikkonen.LIVIO ORICCHIO - Enviado especial - O Estado de S. Paulo

MONZA - Há uma relação íntima entre o futuro de Kimi Raikkonen na Fórmula 1 e o comportamento de Fernando Alonso daqui para a frente. O raciocínio é simples: se o espanhol voltar a ser o piloto casado com a Ferrari, como era até antes do GP da Hungria, dia 28 de julho, em que não criticava a equipe nem nos momentos mais difíceis, e demonstrar que voltou a ser o profissional que trabalha, vence e perde com o grupo, então o seu companheiro, em 2014, provavelmente não será Kimi Raikkonen, hoje na Lotus.

A imprensa italiana a cada dia parece acreditar mais que Montezemolo e Domenicali vão optar pela formação de um dream team, com os dois campeões do mundo juntos, em 2014, Alonso e Raikkonen. Na última edição da revista semanal Autosprint, por exemplo, tanto o editorial, redigido pelo diretor de redação, Alberto Sabbatini, quanto a reportagem sobre o mercado de pilotos, assinada por Alberto Antonini, falam em “provável ida do finlandês para Maranello”.

Nesse caso, Montezemolo e Domenicali sabem também que o dream team poderia não funcionar. Correm o risco de desestabilizar um piloto que representa uma garantia de resultados, como o espanhol, e a partir daí experimentarem o exercício diário de administrar desgastantes conflitos internos, com perigosos desdobramentos nos resultados.

Mas é bem verdade que poderia estimulá-lo ainda mais, pois Alonso não suporta ser vencido por outro piloto com o mesmo equipamento. E o mais importante: a contratação de Raikkonen poderia servir de freio para os seus ataques de vaidade, semelhantes aos de superstars do rock, acostumados a fazer todo tipo de exigências aos organizadores do espetáculo.

NÃO HÁ PRESSA
Domenicali afirmou ao Estado, no circuito de Spa-Francorchamps, dia 24: “Não temos necessidade urgente de definir o companheiro de Alonso”. Esse espaço de tempo até as etapas finais servirá para compreender por qual lado o brilhante piloto vai enveredar. O do confronto com quem sempre lhe fez de tudo para se sentir confortável, ainda que em nem todas as ocasiões o carro tenha correspondido, ou da retomada da relação quase idílica que mantinham da chegada a Ferrari, em 2010, até a metade do atual campeonato.

Nesse sentido, as férias de agosto parecem ter já adiantado que Alonso compreendeu não ter alternativa. E na última prova, na Bélgica, mudou radicalmente o discurso. Elogiou a Ferrari e seus homens. Até da área técnica: “Confio no seu trabalho”, afirmou, para surpresa da imprensa. Foi o resultado, também, do xeque mate que Montezemolo lhe deu. Quem conhece o italiano é capaz de reproduzir suas palavras ao piloto: “Para permanecer na Ferrari tem de respeitá-la e defender, primeiro, os seus interesses, ao mesmo tempo em que deve sentir orgulho”.

O campeão do mundo de 2005 e 2006, pela Renault, viu que o rompimento do contrato com a Ferrari implicaria o pagamento de multa milionária, o que ninguém faria. Não acabou: não há espaço em outra equipe. Mercedes já acertou há tempos com Lewis Hamilton e Nico Rosberg. A McLaren não o quer, talvez nem de graça, enquanto Ron Dennis for sócio do grupo, e a Lotus não tem dinheiro.

Por fim, a Red Bull. Helmut Marko, homem que tem a palavra final na organização, jamais exporia seu tricampeão, Sebastian Vettel, a um confronto interno com outro piloto genial, Alonso. A escolha de Daniel Ricciardo para a vaga de Mark Webber, anunciada segunda-feira, bem demonstra a filosofia da Red Bull, responsável pela conquista dos três últimos títulos de pilotos e de construtores.

O que é certo é que a Ferrari não vai divulgar sua dupla em Monza, no fim de semana. Por uma razão: não a definiu, ainda. Montezemolo e Domenicali aguardam qual versão do Alonso vai se apresentar nos eventos. E como reagirá se o modelo F138 não acompanhar os concorrentes.

Mais: os dois dirigentes vão continuar avaliando, com muita atenção, as consequências de eventualmente levar Raikkonen para a sua escuderia. Se tornaria a Ferrari mais forte ou, por incrível que pareça, mais vulnerável, por poder gerar uma grave crise interna, como a que se estabeleceu na McLaren, em 2007, entre Alonso e Lewis Hamilton, cujo desfecho foi terrível para o time inglês: a perda do título para a própria Ferrari, por um ponto.

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