Quanta diferença dois anos podem fazer. Quando o Kimi Raikkonen saiu da F1 para os Rallies, pareceu que poucos sentiram a sua falta. Agora, tendo o sucesso que outro grande nome na mesma condição falhou e encenando um retorno bem-sucedido – tornando-se o queridinho do paddock. Não que Raikkonen se importe com o que as pessoas pensam – algo que não mudou em nada. Ele apenas quer correr e vencer – e sua vitória em Abu Dhabi foi uma das mais populares das temporadas. Em uma entrevista exclusiva com a F1.com pegamos a estrela da Lotus antes da rodada do final de semana em Austin...
Q: Kimi, vencendo a antepenúltima prova da temporada é tardio, mas não tão tarde. Antes de Abu Dhabi, você ainda acreditava que isso podia acontecer este ano?
Ah! Sempre pensei que era possível. Foi só uma questão de conseguir ter tudo certo no mesmo final de semana e levar isso para a corrida. Nós fomos capazes de melhorar o carro um pouco desde a Coréia – desde então tivemos algumas peças novas. Na Índia tivemos uma velocidade boa de verdade, mas, alguns erros na classificação tinham nos colocado em uma posição ruim na corrida, por isso, eu tenho que dizer que em Abu Dhabi foi apenas um passo lógico, quando você consegue não cometer erros. Nós sabíamos que se as coisas corressem bem iríamos nos dar uma chance – e aí esta, nós conseguimos! (Risos).
Q: Quando você olha para as tabela da classificação, fica difícil acreditar que você esta em terceiro na classificação do Mundial de Pilotos. O que acontece com você das tarde de Sábado até a bandeira quadriculada? Tem algum interruptor que você lança e te dá esse ritmo extra?
KR: Não. É bem mais simples do que isso: nosso carro é muito mais competitivo na corrida em relação aos outros – e em comparação com a classificação – com a necessidade da volta. Você tem o mesmo fenômeno com a Ferrari: também falta ritmo na classificação, mas na corrida esta lá. Não temos simplesmente a velocidade em uma volta – o que alguns outros têm, mas, por algum motivo nosso carro é bom na corrida.
Q: Então você tem colocado sempre que a classificação é um pouco dolorosa – e então você tira tudo o que pode do carro na corrida?
KR: Isso soa como que eu sempre estou fazendo terrivelmente uma pobre classificação, mas, isso é tão verdade assim. Eu fiz uma classificação muito boa em Abu Dhabi - o que me levou a P5 no grid de largada. Sabia que tinha de fazer uma boa largada e, ok, isso ajudou um pouco já que o Sebastian [Vettel] largou do pit lane por qualquer que seja o motivo. O fato é que fiz uma boa largada e tudo rolou bem. (Risos).
Q: O que fez desse retorno ser bem sucedido? Porque isso funcionou com você e não para outro nome famoso do grid de largada? Idade, carro ou determinação?
KR: Não faço ideia. Certo, você tem que ter um bom carro e uma boa equipe, mas, isso é apenas um lado da moeda – eu assumiria. Há muitos fatores envolvidos e para ser honesto não sei bem quais eles são. Não há um jeito certo ou errado de retornar. Claro, a equipe do Michael é muito maior que a minha, mas, temos boas pessoas, boas pessoas ao meu redor – e podemos ir por essas coisas. Fui sortudo de cair na F1 novamente como se nunca tivesse ido - como se esses dois anos tivessem se derretido em único dia - e a química com a equipe funcionou desde o primeiro dia.
Q: E 2012 te satisfez?
KR: Você sempre quer mais. É um pouco triste que não podemos lutar de verdade pelo Campeonato, mas, acho que ninguém esperava que iríamos fazer isso. Espero que nos coloquemos nessa posição no próximo ano.
Q: Você acreditava ainda que poderia volta disputar esse título?
KR: Talvez não este ano, como eu já sabia que a equipe teve um 2011 difícil, mas, eu tinha certeza que seria bom.
Q: O que é bom no seu carro?
KR: No geral é um pacote forte. Não há uma coisa ou uma parte que é melhor do que as outras. Em outras palavras, não há realmente um ponto fraco no carro - e esse é o motivo que nos fez ser tão fortes. Claro que precisamos de mais velocidade nas retas, mas como disse, a parte mais forte do carro é que não tem algo ruim.
Q: Com a sua assinatura a equipe ganhou uma bolada. Qual a sua influência na equipe? Você é um daqueles pilotos que são diretores secretos nas suas equipes?
KR: Não, na verdade não. (Risos) Eu faço meu trabalho no carro e outros no pitwall. Eles me ajudaram a votar e juntos fomos bem. Não tenho nenhuma ambição de ser um homem da sombra. (Risos).
Q: O capacete e o macacão fazem um homem? Seus movimentos são diferentes com equipamento de corrida e a paisana: aqui você anda a passos largos [como modelo], e sem [o equipamento] você se larga...
KR: Ah! É assim então? (Risos). Bem, não preciso andar muito com os equipamentos de corrida lá fora, então, provavelmente, a impressão de um caminhar sofisticado vem daí. Vou monitorar isso.
Q: Por muito tempo você foi um dos candidatos ao título, mas, desde Abu Dhabi que o sonho terminou. Essa corrida deixou apenas Sebastian Vettel e Fernando Alonso. Quem é o seu favorito - e por quê?
KR: Diria que a Red Bull tem sido o carro mais forte deste ano, mas, depois eles foram abandonando por algumas vezes. Por outro lado a Ferrari tem sido mais confiável, mas não tem o carro mais veloz. Talvez uma história bem semelhante a nossa. Então, meu palpite é que a Red Bull tem a mão da vez se o carro não quebrar. Se for uma corrida normal e sem abandonos, então a Red Bull deve levar essa.
Q: O Sebastian disse que você é o mais próximo de ser um amigo do que os outros pilotos. Qual é a base para uma amizade entre pilotos?
KR: Ah, conheci o Sebastian faz tempo indo para uma corrida. Ele era um cara jovem na época, e eu comecei a conversar com ele. Desde esse tempo conversamos um com o outro quando nos encontramos. Ele é um cara simples e gosto disso.
Q: Mas não é nada como que vocês fossem passar as férias juntos?
KR: Não, mas costumávamos morar perto um do outro antes dele se mudar para seu espaço e ele tem passado um pouco de tempo na Finlândia com seus amigos finlandeses. E sim, eu também vou o considerar como um amigo.
Q: Você já se questionou o porquê de estar tão popular depois da sua volta? Será que o paddock se deu conta que é melhor ter um caráter turbulento - vale mais do que dez caras forçadamente agradáveis?
KR: Ah, não é engraçado como as coisas mudam? Faço as minhas coisas e algumas pessoas como estas e outras não. Uma coisa que nunca tentei é agradar. Talvez isso seja popular hoje em dia! (Risos).
Q: Chegando para este final de semana, esse é o primeiro GP dos EUA desde 2007 – e a primeira em uma pista construída para F1. Qual é a sua impressão até agora?
KR: Primeiramente, ele me pareceu fantástico e pelo o que eu experimentei no computador – vai também ser fantástico correr nele. Estou tão ansioso para entrar no carro amanhã e fazer um teste. Superficialmente você tem que dizer que tem tantas cores que parece um pedaço de uma obra de arte, então, vamos esperar que também seja uma arte pilotar nele.
Q: Parece estar definido para você ficar na terceira posição no Campeonato de Pilotos, por isso, sem maiores surpresas acontecendo você deve estar se concentrando em 2013. Então, quais as suas ambições?
KR: Espero que tenhamos um bom carro – e que as indicações apontam nessa direção. Vai ser um pouco mais fácil começar esta temporada porque já sabemos o que esperar um do outro na equipe. Então, definitivamente vamos tentar fazer melhor do que nesse ano, mas tudo isso gira em torno de um bom carro.
Q: Por quanto tempo você planeja ficar nas corridas de F1?
Kr: Tenho um contrato até o final de 2013 – e depois vamos ver. O ano de 2013 pode ser meu último ano – e pode não ser também. Você nunca sabe. No momento eu gosto disso.
Fonte: F1.com Official |Tradução: The Iceman Br -@Lelanog
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