Esses Scans são da Revista britânica Auto Sport – Novembro| 2012 - que trás uma matéria com Peter Sauber onde fala sobre como foi conhecer o Kimi e conseguir a superlicença para ele – foi uma das melhores que já traduzi aqui. Abaixo segue alguns trechos traduzidos e os scans, ok. Agradecendo a Saima do KRS pelo scans!
TRADUÇÃO.:
PÁGINA 1.:
“Não entendo por que eu dei ao Kimi três dias de testes. Não tínhamos dinheiro, ainda assim, me falaram que este rapaz era muito, muito especial. Mas eu pensava que ele era tão estranho...”
Em 2001, Peter Sauber deu um assento de corridas para um finlandês desconhecido que tinha apenas 23 corridas com carro sob seu cinto. Este instinto de corredor lançou Kimi Raikkonen na F1. E essa foi uma das extraordinárias decisões que o dono equipe Sauber fez durante as suas quatro décadas de automobilismo.
PÁGINA 2.:
MH: Se você quer falar sobre valor, então assinar com Kimi Raikkonen foi uma das melhores movimentações que você fez. Qual é o tanto que você sabe dele? Ele apenas tinha feito 23 corridas.
PS: Isso aconteceu em 2000. Eu nunca havia encontrado David Robertson [empresário do Kimi] antes, mas ele veio me ver e explicou sobre a sua experiência com o Kimi. Todas as histórias legais: Kimi no kart; como ele era habilidoso nas condições molhadas. David foi... Um excelente vendedor. Eu realmente nunca entendi porque dei ao Kimi um carro por três dias. Não tínhamos dinheiro e, normalmente quando você testa com jovens pilotos, vocês faz isso com seis pilotos em três dias de teste e pagam por isso. Mas Robertson me disse: “Este rapaz é muito, muito especial e ele precisa de um carro por três dias”. E, é claro, eles não pagaram nada. Eu ainda não entendo porque eu tomei essa decisão.
Fizemos o teste em Mungello. Esta não é uma pista fácil para pilotos novatos. Eu estive lá apenas no segundo dia e foi quando eu encontrei o Kimi pela primeira vez. Ele nunca falou e não era possível falar em inglês com ele; talvez duas ou três palavras. Nada mais. Mas uma ou duas coisas foram muito, muito especiais. Sua linguagem corporal era bem impassível e ele dava a impressão de que ele estava tão focado que se ele caminhasse na sua direção, ele poderia andar através de você. Este foi meu ‘feeling’ pessoal. Eu pensava: “Este cara é tão estranho”.
O engenheiro me contou que eles fizeram três, ou talvez quatro voltas e voltaram. Então, eles disseram para ele pilotar por oito voltas. Depois da quarta volta, ele estava de volta de novo. Não era possível para ele manter sua cabeça erguida. Mas ele nunca falou sobre isso. Você consegue imaginar? Você consegue um teste com uma equipe de F1 e eles te dizem: ‘Fique fora por oito voltas’ – e você volta depois de quatro!
O volante não teve tantas mudanças quanto temos agora – mas ele pilotou bem. Com a embreagem no volante , ele saiu do Box ok; normalmente. Ao longo do dia, ele soube que estava sob o a minha minuciosa análise. Estava claro que os novos pneus iriam valer a pena e o [combustível] completo também na segunda volta também – mas resolvemos não dizer nada. Na primeira volta, ele foi um segundo mais veloz. Na segunda volta - mais outro segundo mais veloz. Muito impressionante. Eu voei para casa junto com o Willy [Rampf, diretor técnico da Sauber], e nós decidimos: ‘Vamos assinar com ele’.
MH: E o resto é historia. Fantástico. Mas havia um problema com a Red Bull, não havia? Eles preferiam o Enrique Bernoldi?
PS: Eu tive a primeira grande briga com a Red Bull porque o Dr. Helmut Marko [agente de talentos da Red Bull] fez um péssimo papel. O Bernoldi era o nosso pilotos de testes e ele estava pilotando no mesmo momento. Ele não foi bom suficientemente. Mas Helmut Marko estava tão convencido sobre o seu próprio julgamento e o Dietrich Mateschitz acreditava em tudo o que o Marko contava a ele. Então, nós tivemos nosso primeiro desentendimento com Dietrich Mateschitz. Mas, eu ainda tenho um relacionamento muito bom com ele hoje.
MH: Mas este não foi o final da história com o Kimi, não foi? As pessoas estavam contra um piloto com pouca experiência entrando na F1. Particularmente Max Mosley, o qual estava na cabeça da FIA.
PS: Mosley estava contra isso, mas ele foi justo. Eu entendia o que Max estava dizendo por que esta não era uma maneira normal. Nós tínhamos uma conferência em Mônaco e eu tive que expor o meu caso. Eu não tinha experiência e meu inglês não era tão bom. Eu tive a ajuda do Bernie Ecclestone, Jean Todt, Ron Dennis, Frank Williamns e eu acho, que no final, do Eddie Jordan. Todos me ajudaram – eu fique surpreso. Apenas uma pessoa estava contra mim, e esta foi o Flavio Briatore. Ele disse que nós tínhamos a F3000 para isso e isso nos deu uma força de trazer este rapaz direto para F1. Flavio estava protegendo seus próprios negócios e, é claro, ele tinha dois votos naquele tempo: a Minradi também era uma equipe sua. O Max não votou. Ele foi justo; absolutamente justo. Para mim, foi um milagre conseguir a superlicença para o Kimi.
Fonte: KRS – Evenstar (thank u so much)| Tradução: The Iceman Br -@Lelanog
